Cabo Verde na Copa do Mundo
By Cristina da LuzOs ecos das bozinas podem ser ouvidos por quilómetros e quilómetros, acompanhando a melodia da celebração do povo cabo-verdiano.
Atravessando o nosso oceano impiedoso, o sentimento familiar de saudade da diáspora intensifica-se. A cada vídeo, mensagem, e foto de celebração, um único desejo ocupa o coração: Leban nha terra
Um sonho coletivo que há pouco tempo parecia tão longe, mas que acabou chegando tão cedo.
A nossa primeira Copa do Mundo.
Eu lembro-me de estudar diferentes mapas do mundo com os meus avós quando era pequena, e em muitos deles, Cabo Verde estava ausente. Vinte anos depois, quando digo o nome de onde venho, o que vem a seguir normalmente é: "Onde fica isso?"
"Fica na África Ocidental; é muito pequeno; provavelmente nunca ouviste falar", é o meu roteiro.
Eu estava na Indonésia quando nos qualificámos para o Mundial. Lembro-me de ter ido jantar fora uns dias depois, e em uma conversa com um local, a pergunta inevitável de onde sou surgiu: "Cabo Verde", respondi, esperando ouvir o mesmo discurso de sempre, mas, em vez disso, deparei-me com: "Ah, sim! O país mais pequeno a qualificar-se para o Mundial!"
O que senti nesse momento, acredito que só outros cabo-verdianos entenderiam.
Em um país tão pequeno quanto Cabo Verde, ser reconhecido é ser amado, e a nossa música foi a primeira a ultrapassar fronteiras. Artistas em Cabo Verde são como heróis. Todos nós já ouvimos que a Cesária colocou Cabo Verde no mapa, e outros artistas, hoje em dia, continuam fazendo isso. Nada deixa-nos mais felizes do que saber que a nossa cultura é tão amada internacionalmente como nacionalmente, e isso não seria diferente no futebol.
Assim como em muitos países do mundo, o futebol faz parte de nós. Muitos nascem já torcendo para uma equipa, e essa lealdade normalmente é vitalícia. Muitos jogam pela diversão, e muitos pelo sonho de um dia tornarem-se profissionais e jogarem ao lado dos seus heróis. Os dias de jogo trazem uma alegria imensa às pessoas, que param para desfrutar de noventa minutos de uma montanha-russa de emoções. Não se trata apenas do desporto, mas da cultura que o envolve.
O Mundial não se resume apenas aos jogos. É uma cultura, e Cabo Verde vai ter a oportunidade de fazer parte dela pela primeira vez.
No nosso caso, não é apenas sobre uma possível vitória. É sobre coletividade. É sobre ver os nossos jogadores, que dedicaram as suas vidas ao desporto, chegarem onde todos os jogadores de futebol ambicionam. É sobre torcer por aqueles que estão a abrir portas para que futuros sonhadores continuem a sonhar. É sobre saber que o mundo está a ver-nos e a torcer por nós também. E enquanto tivermos isso, as probabilidades estarão sempre a nosso favor.
13 de outubro de 2025
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